segunda-feira, janeiro 05, 2009
 
:: um filme por dia

#005 doutores da alegria



acho que já vou mudar esse lance de um filme por dia para um filme por semana. a promessa já está causando grandes estragos a minha rotina e é melhor mudar agora que depois. ou não?

senão a gente cai numa picaretagem foda. por exemplo, o filme de hoje: doutores da alegria.

eu já havia visto parte deste filme no canal brasil e acabei terminando ontem no canal comunitário (ok, confesso, zapeio pacas). filme a prestação pode?

bom, falando do filme. eu simplesmente adorei. claro que soa uma puta propaganda de uma ong e tals. todo ele tem leis de incentivos a cultura, mas é bastante coeso e claro a questão tratada ali: a figura do palhaço.

é uma das figuras mais interessantes do imaginário da humanidade. um anti-herói com a complexidade de um filosófo e a inocência de uma criança. aliás, muitos filosófos acreditam que o olhar da criança é o mais puro, livre de preconceitos, logo o mais propenso a filosofia.

e num mundo cartesiano que vivemos, o palhaço realmente é um subversivo. lembro-me de uma turma de artes cênicas da eca/usp que fizeram uma temporada de clown. eles me contavam que a máscara do palhaço era um amplificador da alma e a conclusão era que somos todos ridículos, só que no palhaço, ridículo amplificado.

gosto desta figura desde que me apaixonei por fellini e giuliletta masina. "la strada" é lindo de morrer e ninguém me convence que cabíria era uma palhacinha vestida de puta.

o mais dificil em "doutores da alegria" é o ambiente hospitalar que eu simplesmente abomino. ainda mais quando crianças são as pacientes. é difícil ver encarar. com certeza, eu não tenho a mínima estrutura para ser um palhaço. sou muito fraco.

as histórias são belas. acho que a morte também é uma forma de amplificação de sentimentos. perto dela, tudo é muito mais intenso. destaco três cenas: dois atores contando sobre como convenceram um amigo que morava na frente do hospital a se vestir de gnomo; a cantoria de uma dupla de palhaços até o suspiro final de um garoto com leucemia e a cena em que o palhaço está em vários outros ambientes como escritório, bolsa, etc.

depois, num momento gondry-palhaço, imaginei um ambulatório cheio de palhaços doentes e crianças vindo reensiná-los a ter alegria.