domingo, janeiro 04, 2009
 
:: um filme por dia

#003 ensaio sobre a cegueira


a questão agora é adaptação de um obra literária para o cinema. 90% dos casos o livro é melhor que o filme, muitos dizem. eu particularmente prefiro encarar como uma leitura e não uma adaptação.

hichcock e kubrick eram caras espertos: sempre adaptavam livros que não fizeram muito sucesso. até glauber rocha pensou em adaptar "a falecida" de nelson rodrigues e chegou a conclusão que teria um conflito de "gênios'.

sim, eu li o livro e achei foda na época. adolescente e muito impressionável. não sei se teria a mesma impressão aterradora que tive na época. tanto é que "todos os nomes", o livro seguinte de saramago, foi como uma rendenção.

mas é que esse tal de fernando meirelles é um cara foda. desde "cidade de deus" mostra que é um ótimo diretor de cinema. o filme é forte, denso e fodástico. tudo bem que muita coisa do livro se perdeu, mas como eu disse, vejo como uma leitura do livro.

e talvez seja isso que me causa estranhamento neste filme: a leitura de meirelles. em "cidade de deus" e "o jardineiro fiel" temos o melhor diretor de cinema do brasil no quesito linguagem cinematográfica, na gramática, no feitio. quando temos evidentemente uma leitura em que o diretor se posiciona causa um certo estranhamento porque não haviamos visto tão explicitamente.

o tal cinema de autor.

outra coisa que me chamou atenção é assistir a cidade de são paulo no filme. acho que foi a primeira vez que a vi assim desfigurada, sem identidade mesmo reconhecendo o que era cada lugar, como se os espaços também perdessem os nomes.

e a cena final da casa me faz pensar quem é esse saramago que desdenha e humaniza o homem?