quinta-feira, janeiro 01, 2009
 
:: um filme por dia

#001 jcvd



eis a minha primeira resenha de resolução de ano novo. talvez as pessoas esperassem algum obra fundamental de filmografias relevantes, mas com a promessa de assistir 365 filmes em um ano, este é bem interessante e já quebra o paradigma de que sou um cara bacana.

acho que todo moleque dos anos 80 indo para 90 deve ter visto pelo menos 2 filmes do van-damme. digo 2 porque o cara é um desses astros de filmes de ação tipo chuck norris, arnold sujacueca, steven seagal, etc. e é impossível ter passado este período sem ter visto estes filmes b. quem não se lembra de "retroceder nunca, render-se jamais" ou "o grande dragão branco"?

bom, a sacada do filme é exatamente este universo pop-brega-80. sim, o filme é todo metalingüístico e tira sarro da figura de van-damme, mas vai além.

normalmente filmes metalinguistico em que o personagem é o próprio ator não são muito comuns. lembro-me de john malkovich em "quero ser john malkovich" e julia roberts em "doze homens e um segredo". mas neste filme eles pegaram o histórico que nada serve de exemplos para as criancinhas de um astro em decadência (péssimos filmes, drogas, mal relacionamento familiar) e criam um filme no mínimo risível.

primeiro é van-damme falando francês, o que não deveria ser estranho já que o cara é belga. mas o cinema americano nos propõe há tanto tempo o absurdo de que o mundo inteiro fala inglês que ouvir van-damme falando a sua língua soa surreal.

a direção, por vezes, brinca com a linguagem. em um primeiro momento temos climas de cinema europeu com longos tempos mortos, frases deslocadas e que não cabem na clássica dramaturgia do "costurar para dentro", planos-sequências que estúdios americanos mandariam cortar na hora da filmagem. em outro momento, há toda tensão própria dos americanos: edição muito rápida, trilha sonora melosa, piadas pitorescas.

mas a melhor cena do filme é um monólogo surreal que van-damme faz no meio do filme, sem cortes, um reflexão a la bergman sobre si próprio e sua condição no universo do star-system.

como já havia lido em uma crítica e reitero aqui: o melhor filme de van-damme.

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