terça-feira, outubro 23, 2007
 

:: Eu sou uma índia, sou filha da lua, sou filha do sol

Todo mundo sabe que peito de mãe não tem dono.

A gente passa a vida guardando os peitos dos olhares alheios (a.k.a. regulando mixaria) pra descobrir que, uma vez mãe, o peito cai na roda e se mostra para quem estiver por perto, sem respeitar raça, cor ou credo. Acontece que o peito fica à total disposição nossos filhos, na hora e local em que eles bem entenderem. Azar de quem não gostar - no caso, a proprietária do par em questão.

Comigo começou no pré-parto. A camisolinha semi-transparente do hospital não cobria nada, e dá-lhe visitas de boa sorte. Em vias de parir, a última coisa na minha cabeça era o fato de estar expondo os peitos pras visitas, até porque eu estava prestes a expor coisas bem mais íntimas para pessoas bem menos íntimas.

Quando Alice, com minutos de nascida, veio para o meu colo, veio junto a mão da enfermeira, sem a menor cerimônia (e se tem uma coisa que enfermeiras de hospital não podem ter é cerimônia), pra pegar meu mamilo enfiar na boca da pobre criança. Pronto, perdi os peitos, pensei.

De fato, eles viraram domínio público dali em diante. Precisando, saco a peitarola e faço o serviço onde for preciso. Alice nem sempre coopera e, bobinha, dá de não encontrar o mamilo nas horas mais embaraçosas, adiando por longos minutos a conveniente cobertura mamária proporcionada pelo cabeção.

Some-se isso ao fato de mamilos rachados – e eles racham, viu? – precisarem de ar pra cicatrizar e inviabilizarem qualquer tentativa de se colocar uma blusa, e voilà: eu agora ando semi-desnuda pela casa, tal qual uma índia guarani. Na frente das visitas, inclusive. De vizinhos a amigos de infância, não escapou ninguém. Paguei peitinho na frente de amiga. Namorado de amiga. Pai de amiga. Amigo de irmão. E por aí vai.

É tipo calcinha da Britney Spears: só não viu quem não quis.