quarta-feira, setembro 24, 2008
 
:: Dona-de-casa desesperada


O que aconteceu foi que eu tive que virar dona de casa, assim, de uma hora pra outra.  Porque eu sou uma mocinha mimada, admito. Sempre tive ajuda pra um bocado de coisas nessa vida. Então cheguei em Paris pra uma vida de luxo e glamour, e encontrei foi  uma cozinha suja e uma pilha de roupas pra lavar. Na máquina, é verdade. Mas eu, que nunca tinha ligado uma máquina de lavar roupa na vida, apanhei um pouco nas primeiras vezes. E apanhei da lava-louça, do aspirador de pó e dos aquecedores. Tomei uma surra homérica da caixinha de internet e televisão. E tenho tomado uns tapinhas do fogão. De luva de pelica, digamos. Mas mesmo assim é uma vergonha. Eu queria ser cozinheira, gente! Eu fiz cursos, comecei uma faculdade de gastronomia, contei vantagem! A pessoa não pode ter esse background e não saber fazer arroz!

Eu não sabia, quando cheguei. Sabia na teoria, mas a prática nunca funcionou. Então eu botei a culpa na panela, desencanei do arroz e dei de fazer couscous marroquinho, que é facílimo. Mas não se pode viver uma vida plena a base de couscous marroquino, certo? Então insisti, e insisti, e insisti. E continuou dando errado, oh god!

Eu poderia passar o resto do ano comendo baguette com brie, mas tenho um marido pra impressionar. Daí me meti a fazer um jantar de verdade, com vários prato - e pra mim o grande mistério da cozinha sempre foi fazer tudo ficar pronto ao mesmo tempo. Como ando vivendo perigosamente (ha!), inclui arroz no menu. E lá fui eu pro fogão.

Minha gente, era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu esqueci do arroz. Larguei ele cozinhando e fui fazer mil outras coisas. Pois foi a primeira vez que meu arroz deu certo. Primeira na vida! Porque foi a primeira vez que eu não abri, não olhei, não provei, não mexi um pouquinho, não aumentei o fogo, não coloquei mais água. O que estragava o meu arroz era essa compulsão louca de ficar futucando em vez de deixá-lo quieto. 

Deixe-o em paz. Esse seria o meu conselho, caso eu soubesse de mais alguém no mundo que não sabe fazer arroz.