segunda-feira, agosto 20, 2007
 

:: O Efeito Supermercado

Eu me dei conta de que vou parir em breve por causa de um iogurte.


No começo da gravidez, o dia 28 era tão, mas tão remoto que era quase inconcebível. Uma abstração, apenas. A gravidez parecia que ia durar pra sempre.

Pra reforçar essa sensação reconfortante, passei a sofrer do Efeito Supermercado, que consiste em usar as validades das compras pra se tranqüilizar quanto à passagem de tempo. O Efeito Supermercado segue 2 princípios básicos:
1- coisas que duram muito vão durar um bocado após o nascimento.
2- coisas que duram pouco ainda serão muito consumidas até chegar o dia D.
Em um caso ou em outro, o raciocínio é: ainda falta muito tempo, ufa!

Complicado? Tomemos dois exemplos ilustrativos:

1- Ando pelo supermercado caçando produtos que sobreviverão, com folga, ao dia 28. Leite condensado, açúcar, sabão em pó. Olho as datas de validade e penso: quando minha filha tiver 2 anos isso ainda vai estar bom... ou que interessante, usarei este mesmo pacote para cozinhar a comida da Alice em 2010! As coisas que duram muito têm um efeito tranqüilizador. Sabe aquele futuro hipotético que nunca chega? Começo de gravidez é assim, como produtos não perecíveis: parece que a gente nunca vai alcançar a data limite.

2- Adapta-se o mesmo raciocínio reconfortante ("Tenho tempo, tenho tempo!") aos produtos frescos. Um queijo branco, por exemplo. Eu vou comprar e comer uns 24 queijos iguais a esse e Alice não vai ter nascido ainda! O produto fresco tem vida curta. Ele implica num imediatismo que nós grávidas não temos, o que é um alívio tremendo.


O Efeito Supermercado funcionou perfeitamente pra mim até recentemente, quando reparei que o iogurte aqui de casa é válido até 6 de setembro. Setembro! Quer dizer, o iogurte que está na geladeira vai mais longe que a minha gravidez.

Foi o fim do Efeito Supermercado tal como eu o havia elaborado. Chegou o momento da inevitável inversão, o dia mágico em que você percebe que a barriga passará mas o iogurte ficará. Isso, meus amigos, é o começo do fim – fim tanto do efeito supermercado quanto da própria gravidez.

E então hei de ser mamãe antes da bandeja de Danone estragar. Céus! Torçam por mim, ok?