quarta-feira, agosto 15, 2007
 

:: O Dia D

Um dia, lá atrás, você é uma feliz gestante recém-descoberta e faz sua primeira consulta pré-natal. Desse dia em diante um número passa a reger sua vida: a data provável do parto.

Você não precisa e nem vai acreditar nela, por várias razões. Primeiro porque um bebê não é um relógio suíço e, estando mais ou menos pronto, pode decidir cair fora a hora que bem entender. Segundo, porque a contagem do tempo de gestação não conta de fato o tempo de gestação. Seu médico vai pegar a data da sua última menstruação, contar 40 semanas e voilá!, você tem a data provável do parto. Só que, veja bem: você não estava grávida no dia da sua última menstruação, certo? Você engravidou pelo menos 2 semanas depois, e isso se for reguladinha como nos livro de biologia. Se seu ciclo é irregular (e qual não é?), esquece. Impossível saber a idade real da gestação. O ultra-som pode até dar uma dica, mas mesmo os padrões medidos por ele são variáveis: no mesmo exame seu filho pode ter um coração de 12 semanas, fêmur de 11, cérebro de 13, peso de 10, e por aí vai. Um pequeno Frankenstein em formação.

Frente a todas essas dificuldades, seu médico vai simplesmente fazer a continha descrita acima e chutar a tal data provável do parto, não sem antes avisar que a margem de erro é de 2 semanas pra cima ou pra baixo - o que é muito cruel porque significa que você vai ficar um mês inteirinho achando que vai parir a qualquer momento.

Mas nada disso importa. Importa que você tem uma data pra chamar de sua. Pra marcar na agenda. Pra dizer pros amigos quando eles perguntarem quando nasce. Por mais imprecisa que ela seja, a data provável do parto vai virar uma grande referência na sua vida.

A minha é 28 de agosto (que além de tudo é dia de lua cheia, e as pessoas amam dizer que lua cheia é sinal de partos, muito partos, oh God!). Eu sei que a chance da Alice nascer justamente no dia 28 é mínima, mas mesmo assim esse dia passou a reger minha existência. Me preparo pra ele desde janeiro, quando fiz meu primeiro exame pré-natal.

Agora faltam só 13 dias.

O enxoval tá pronto. A malinha do hospital, idem. O quarto, quase.

Eu? Acho que eu não ficaria pronta em mil anos.

Ainda bem que filho não espera.