terça-feira, setembro 27, 2005
 
:: Climão
Me parece que a Lu ainda tá traumatizada, então eu termino de contar a nossa fatídica sexta-feira. (Lu, estou pensando em exagerar um pouco pra ficar mais interessante, não me desmente, tá?)

Fomos contratadas por um cara muito bacana que fazia 30 anos e queria boa música. Só que no mesmo dia e local duas gurias faziam uns 20 anos e queriam dance music, "tecnera" (argh)e flashback sem nenhuma classe. Sem falar, é claro, do já citado CHICRETECOMBANANA - pq elas e as amigas tinham essa cara de mina que vai em micareta, sabe como?, e queriam dançar com os bracinhos pra cima e fazendo u-hu! a cada troca de música. Pavor.

O aniversariante, coitado, que não sabia de nada disso, chamou a gente e pagou uma certa quantia por 4 horas de som. E as outras duas tinham se acertado com o dj da casa e não sabiam da nossa existência até então. Aconteceu o óbvio: no começo sorrisos e compreensão de ambas as partes, no meio rixa, no fim treta.

Não bastasse a diferença de estilos, ainda rolou que as meninas e sua amigas encanaram com 2 djs mulheres (e ainda por cima simpáticas, e ainda por cima dançarinas, e ainda por cima GATAS, haha) chamando a atenção na pista. Sendo assim, a cada entrada nossa elas vaiavam, se aglomeravam num canto de braços cruzados e ficavam encarando com ar de bravinhas e cochichando nos ouvidos uma da outra, tipo escola pré-primária, uma situação engraçada por uns minutos mas que começou a dar gastura e nervoso na gente, pq olhar urubuzento de mulher dá um azar desgraçado e tava rolando um clima "vamos pegar essas djéias de porrada lá fora" um pouco desagrádavel. E então, 3 da manhã, a aniversariante mais barraqueira vem colocar o dedinho na nossa cara e dizer que estamos EXPULSANDO da festa seus amiguinho de mau-gosto que não aguentam mais ouvir "a nossa música". E o cara, que nos contratou à parte e portanto estava pagando, não deixava a gente liberar pro outro dj. Sinuca de bico: o dinheiro ou nossas vidas/nosso dentes/nossas carinhas sem hematomas no dia seguinte? Enfim, a vida não tá fácil pra ninguém, então a gente tocou quase a festa toda e o mocinho e seu amigos legais ficaram muito felizes e dançaram loucamente. Foi bom também porque a tropa de choque não pôde com tanta sofisticação musical e foi-se embora cedo, provavelmente com suas cabeçinhas ocas doendo e pedindo por uma boa noitada no Santa Aldeia para voltarem ao seu estado-ameba-habitual.

Mas agora convivemos com a culpa de termos estragado a festa de duas jovens, ainda que elas fossem duas vadiazinhas recalcadas. Porque, no fundo, elas tinham alguma razão. Se o gosto musical era discutível...

(Parênteses: ok, eu estou nojenta com essa minha pretensãozinha "elite-cultural que sabe o que é bom". Eu sei que é feio mas não consigo evitar, gosto é gosto e o nosso é sempre melhor que o dos outros, ainda mais num caso evidente em que É MESMO como esse. Então perdoem o tonzinho superior, please, até porque minha autoestima foi muita abalada com essa história toda e eu preciso me recuperar destruindo alguém. Grata pela compreensão, fecha parênteses)

...Se o gosto músical era discutível, o indiscutível é que a festa também era delas e portanto elas podiam ouvir a porcaria que bem entendessem. Tá certo que elas foram PIRRACENTAS e MAL-EDUCADAS, mas aí já não é problema nosso, dj é pago também pra ser surdo-mudo e não brigar com ninguém, por mais que sempre tenha um, ou uns, que mereçam.

Enfim, o saldo foi: elas detestaram a festa, nós detestamos tocar na festa, o cara detestou tretar na festa e o dono do bar - o cretino desorganizado que causou toda a treta porque não soube negociar o espaço - encheu o cu de dinheiro às custas de todos.

(E o mais triste é que, no fim das contas, eu nem exagerei tanto.)