segunda-feira, maio 24, 2004
 
:: queer eyes for straight guy

o programa que passa na sony podia ser qualquer coisa ridicularizando tanto gays quanto heteros, mas me surpreendeu. há nesse programa todo um lance dramático (no sentido de dramaturgia) que me faz assistir até o fim. primeiramente, os 5 personagens (vou chamá-los assim por questões dramaturgicas e não por preconceito) são simpatíssimos. a missão deles é transformar um cara sem graça em um cara "cool". vestem-no, redecoram sua casa, dão conselhos de beleza, de cultura, etc. nesse momento do programa fico pensando até que ponto eles impõe jeitos e trijeitos ou é uma escolha de comum acordo entre queer eyes e o straight guy. mas o fato é que por aquelas horas o cara que vai se tornando cool aceita de bom agrado.

gosto muito das dicas que aparecem durante o programa. são coisas simples -- como escolher mariscos ou como apagar a vela sem derramar a parafina -- que me deixam bobamente maravilhado.

mas acho que tirando todo sarro, todo contraste entre personalidades, o momento dramático maior é a aceitação. não sabemos se as pessoas próximas ao cara cool vão gostar de seu novo jeito cool de ser. fica aquela apreensão. todo mundo fala que as mudanças são boas, mas poucas são aquelas que não resistem a elas. mesmo que a gente, telespectador, ache que o cara ficou bem melhor, nunca sabemos o que as pessoas próximas vão achar. e elas é que importam para o novo cara cool.

e como o final é sempre feliz, meio que virou cool ser feliz.

mesmo que o programa tenha toda essa aurea a favor da sociedade de consumo (ser cool é caríssimo), à moda imposta pelas capitais e que seja fincado dentro de uma cultura de competitismo como é a norte-americana e que dependendo da interpretação do telespectador pode estar ridicularizando os gays, ressalto o lado humano do programa que embora pareça estúpido, para mim é altamente louvável: a vontade do ser humano querer ser melhor para si mesmo e para os que o rodeiam.