sexta-feira, abril 11, 2003
 
:: a respeito de perdas
(ao som de learnin the blues com ella fitzgerald e louis armstrong)


a gente vai contando as perdas, quase nunca os ganhos. porque as perdas são sempre mais perceptíveis e fazem mais sentido quando nossa vida não faz tanto sentido assim.

normalmente, as perdas são questões resolvidas que a gente nunca achou que fossem questões. tanto perdas quanto ganhos indicam o fim de alguma coisa, mas somos seres esperançosos e sempre achamos que ganhos são começos de outras coisas por isso quase nunca consideramos os ganhos porque em si eles ainda não acabaram.

é uma forma de enganar a eternidade. de se tornar infinito. lembro-me de uma professora dizendo que o difícil era o infinito dentro do finito. a idéia de felicidade ficou mais fácil de precisar. embora, não tenha nenhuma idéia do que isso quer dizer.

dizem que é a lei da compensação. se há perda aqui, há ganhos acolá. é um exercício que fica divertido com o tempo. descobrir os ganhos entre as perdas.

perdi o curso de cinema e video. mas ganhei um curso de rádio e tv e tudo que há nele. amigos, entusiasmo por comunicação, pelas pessoas, pelos novos jeitos de estar com as pessoas. perdi a chance de estudar roteiro e direção, mas ganhei a experiência de desenvolver projetos conjuntos com pessoas que amo. perdi estágios em rádio e tvs, mas passei mais tempo com a mariana e através dela conheci a luiza.

isso pode parecer um otimismo exacerbado, e talvez seja mesmo. mas até que alguém imponha a força os valores das minhas coisas, tenho mais ganhos que perdas.

p.s. o "você" no texto que me enviou, sou eu?